O empreendedorismo feminino é um mecanismo de transformação social. Empoderando mulheres para constituir suas próprias empresas, fortalecemos negócios e contribuímos para a equidade.

No varejo não é diferente. Cerca de 61 mil mulheres estão à frente de uma franquia, faturando até 32% a mais que seus colegas homens. 

33% das mulheres no varejo preferem atividades ligadas ao comércio, 20% investem em alimentação e 12% na indústria da transformação. 

Os dados acima foram gerados pelo Sebrae e pelo Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade (IBQP). 

Para fortificar o empreendedorismo feminino e a participação das mulheres no varejo, precisamos compreender o contexto. Em quais segmentos elas atuam? Quais são suas principais dificuldades? Como podemos apoiá-las? 

Para responder estas perguntas, coletamos dados atuais do mercado e conversamos com as empreendedoras Albanir Gaier Fracaro e Camille Holmer. Confira! 

 

Negócios de mulher

 

No varejo, as atividades mais frequentes das empreendedoras brasileiras são:

  • Cabeleireiros (77%)
  • Alimentos prontos para consumo domiciliar (77%)
  • Vestuário e acessórios (75%)
  • Lanchonetes, casas de sucos e similares (56%)
  • Minimercados, mercearias e armazéns (47%)
  • Bares (46%)

 

O perfil da mulher varejista

 

Em 2018, o Grupo Nacional Mulheres no Varejo realizou uma pesquisa para compreender o perfil dessas empreendedoras. O estudo contou com a participação de 87 profissionais do varejo, com faixa etária de 26 a 61 anos. 

66% participantes são casadas. 72% possuem um ou dois filhos. A maioria reside no Estado de São Paulo.

Quanto ao segmento, 47% atuam com alimentação. 

38% são CEO, presidentes ou proprietárias. 23% assumem cargos de diretoria. 

A pesquisa também buscou compreender como a atuação feminina pode avançar e se fortalecer no varejo:

  • 51% citaram o empoderamento e a autoestima;
  • 30% mencionaram fontes de inspiração;
  • 26% apontaram a realização de estudos;
  • 23% apostam na troca de conhecimento e informações;
  • 14% capacitação e mentorias.

 

Quanto ao relacionamento profissional com os homens, apenas 38% estão satisfeitas. Os principais incômodos seriam o autoritarismo, a discriminação, a subserviência e o papel de coadjuvante. 

48% afirmam que a conscientização é o melhor caminho para a equidade de gênero no varejo. 28% reconhecem a importância da constituição de alianças femininas, visando diminuir a competição em prol da sororidade. 

 

Dupla jornada

 

Apesar da dupla jornada não ser restrita às mulheres, são elas as mais prejudicadas. Culturalmente, as atividades domésticas e os cuidados com os filhos são atribuídos ao gênero feminino. Com isso, elas acabam trabalhando 7 horas a mais que os homens, toda semana. Esta diferença foi constatada em um estudo realizado pelo Ipea, em 2011. 

 “Como no varejo o trabalho é por escala, muitas não conseguem conciliar as duas coisas”, comenta Camille Holmer, diretora executiva da Priorize, empresa especializada em gestão estratégia de RH para o varejo. 

 

Inspiração

 

O varejo representa uma ótima oportunidade de emprego, especialmente para profissionais que estão iniciando sua carreira. “Infelizmente, muitas pessoas o veem apenas como um trabalho temporário. Elas não sabem que, em 6 meses, podem subir de cargo, passando de auxiliar de vendas para vendedor, por exemplo”, relata Camille. A diretora iniciou sua trajetória como estagiária de recursos humanos na Nissei. Pouco a pouco, construiu sua carreira dentro da empresa. Hoje, ela não atua mais na rede, pois decidiu abrir o seu próprio negócio. Camille é associada ACP. 

Esta e outras histórias farão parte de um livro sobre mulheres no varejo. Com previsão de lançamento para o primeiro semestre de 2020, a publicação quer inspirar outras mulheres a trilharem seus próprios caminhos no segmento. 

 

Capacitação

 

Para Albanir Fracaro, coordenadora do Conselho da Mulher Empresária da ACP, uma das maneiras de apoiar o empreendedorismo feminino é compartilhando conhecimento. É por isso que o Conselho oferece, às suas integrantes, palestras com temas atuais. 

“Elas precisam estar à frente das mudanças do mercado. Precisam de informação e orientação na área financeira, tributos e planejamento. Estes pontos são cruciais para a prosperidade de qualquer negócio”, observa. 

A educação também é importante para tirar as mulheres do varejo da informalidade. “Capacitadas, elas podem formar a sua própria empresa, constituindo um MEI, por exemplo”. 

 

Desafios 

 

Albanir também acredita que um dos principais desafios do empreendedorismo feminino é a falta de planejamento. “Elas precisam aprender a identificar as melhores oportunidades”, comenta. Estudar o mercado e encontrar o melhor produto também fazem parte deste conjunto. 

Já para Camille, o maior desafio é desconstruir estereótipos. “Muitas mulheres perdem oportunidades no varejo por conta disso”, revela. “Nos dedicamos tanto quanto eles, se não mais, porque queremos mostrar o nosso valor.”

Na opinião dela, os homens também fazem parte da luta. Nos eventos realizados pelo Grupo Mulheres no Varejo, eles são convidados a participar. “Precisamos aprender uns com os outros – e eles também tem que nos ouvir”. 

 

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