Byung-Chul Han é um dos maiores dessecadores do comportamento humano da atualidade. Para o filósofo sul coreano vivemos, hoje, na Sociedade do Cansaço. Uma sociedade que hipervaloriza a positividade, a “eficiência” e a “produtividade”. Entre aspas porque o superdesempenho, a supercomunicação e a superprodução levam ao colapso do “Eu”, o que o autor denomina de “infarto psíquico“. Logo, não somos realmente produtivos e eficientes quando apenas reproduzimos o igual, quando excluímos a negatividade. 

Esse problema se manifesta como ansiedade, depressão e Burnout. Em 2019, afastamentos por conta desta síndrome cresceram 114,8% no Brasil. Entre os principais sintomas estão o esgotamento físico e mental, gerados pela pressão de cumprir metas e dar “tudo de si”. O estresse crônico no trabalho acomete 33% dos trabalhadores brasileiros que, devido ao cansaço extremo, tem baixo rendimento e dificuldade para cumprir suas tarefas. 

 

A vontade de ser diferente

 

Para Han, todas as pessoas querem ser diferentes umas das outras. Porém, é impossível ser autêntico hoje porque “nessa vontade de ser diferente prossegue o igual“. 

Reproduzimos apenas a nós mesmos, convivendo com pessoas que pensam como nós.  Também consumimos sempre as mesmas coisas, a exemplo das maratonas de séries. Visualizamos continuamente apenas o que nós gostamos. Ou seja, multiplicamos o igual, nunca o diferente ou o outro. 

Quando reproduzimos sempre as mesmas ideias e pré-conceitos, somos menos criativos, inovadores e inclusivos. 

 

O sujeito do desempenho

 

A Sociedade do Cansaço é composta por sujeitos do desempenho, que exploram a si mesmos em nome da liberdade. Nas palavras de Byung-Chul: “o sujeito do desempenho se abandona à liberdade obrigada ou à livre obrigação de maximizar o seu desempenho. O excesso de trabalho se aprofunda e se converte em autoexploração. Esta é muito mais eficaz do que a exploração por outros, pois é acompanhada por um sentimento de liberdade”. O indivíduo que explora si mesmo é simultaneamente senhor e escravo – e chama isso de “realização”.

O jargão “faça o que você ama, ame o que você faz” é um exemplo claro desse comportamento. Nosso trabalho precisa fazer sentido, ter um propósito, porém, não deve consumir nossas vidas. A autoexploração leva à exaustão. 

 

Multitarefas

 

O filósofo também chama atenção para o multitarefa, que dispersa a nossa atenção e impossibilita a contemplação. 

A atenção plena, de onde vieram as grandes conquistas humanas, está sendo progressivamente substituída pela hiperatenção e pela hiperatividade. A contínua agitação não gera nada novo, pelo contrário: reproduz apenas o que já existe. 

 

Como superar o cansaço

 

Byung-Chul Han aponta a falta de ócio como responsável pelo cansaço da sociedade. Sem ele, perdemos nosso poder de observação, nossa força criativa, que é a força da vida. 

A solução é restabelecer o equilíbrio entre a vita activia e a vita contemplativa, pois, como afirma o filósofo, a vida contemplativa sem ação está cega e a vita activa sem contemplação está vazia

Nisso, temos a meditação, os momentos de reflexão como grandes aliados. A contemplação amplia o ser. Com ela, “a vida ganha tempo e espaço, duração e amplitude“. Logo, o equilíbrio entre o trabalho e o ócio é fundamental para o equilíbrio da vida. 

É importante ressaltar que o ensaio de Han não desmerece o trabalho, pelo contrário: nos estimula a valorizá-lo como se deve

Os questionamentos de Byung-Chul Han fazem sentido para você? 

Reflita sobre seu estilo de vida e faça mudanças se necessário. Empreendedores realmente inovadores sabem aproveitar o ócio.

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