Empreender é construir o próprio legado, contribuindo para uma sociedade mais justa. Empreender é desenvolver autonomia, conquistar liberdade.

Quando o assunto é a abertura de novos negócios, no Brasil, as mulheres lideram o ranking. 

Mas, além dos ingredientes acima, estas empreendedoras são movidas, também, pela necessidade de adquirir independência financeira

Um relatório divulgado pelo Sebrae mostrou que a proporção de mulheres “chefes de família” passou de 38% para 45% em 2019. Em 42% destes lares, elas vivem apenas com os filhos, ou seja, sem o marido ou cônjuge.

Além disso, o nível de escolaridade delas é 16% superior aos dos homens. Mesmo assim, as mulheres empreendedoras continuam ganhando 22% a menos que seus colegas empresários. De acordo com o Fórum Econômico Mundial, o salário delas  só se igualará ao salário deles em 257 anos.

Sim, elas estão, pouco a pouco, conquistando mais espaço no mercado de trabalho e no mundo dos negócios. Porém, muitos desafios ainda precisam ser superados. 

Em uma arena predominantemente masculina, as mulheres enfrentam a dupla jornada, a falta de apoio familiar e o descrédito de investidores para conquistar os seus sonhos. 

 

Por que o empreendedorismo feminino é importante? 

 

Muitas pessoas acreditam que, no mundo dos negócios, não há diferenças entre empreendedores e empreendedoras – mas isso não é verdade. 

O empreendedorismo feminino é um instrumento de transformação social, que dá força e visibilidade à outras questões femininas.

A maternidade é uma delas: 75% das mulheres empreendedoras do Brasil são mães. Divididas em uma dupla (quando não tripla) jornada, elas trabalham 3,1 horas a mais que os homens toda semana. 

A necessidade de conciliar vida pessoal e profissional faz com que 68% das empreendedoras trabalhem de casa. 48% são MEI e atuam na área de serviços, principalmente nos segmentos de beleza, moda ou alimentação. 36% faturam até R$2.500/mês. 

 

Intraempreendedorismo feminino

 

O Brasil é o 10º país com maior número de mulheres líderes. Contudo, a proporção deixa a desejar: dentro das grandes instituições, apenas 3% ocupam cargos de liderança

Embora criar um ambiente de trabalho inclusivo seja importante para 82% das mulheres, apenas 41% acreditam que este tema é tratado com a devida importância pelas empresas. Esses dados são de uma pesquisa realizada pela Bain em parceria com o Linkedin, em 2019.

O que impede as mulheres a assumirem cargos mais elevados são os vieses inconscientes, isto é, ideias preconcebidas. 

Uma delas é a visão de que, quando uma mulher atinge certa idade, ela vai deixar sua carreira em segundo plano para ter filhos e focar na família.

Outro viés parte delas mesmas: a “síndrome da impostora“. Ao ocupar espaços e exercer funções tradicionalmente masculinas, as mulheres se sentem intimidadas e insuficientes. Para provar seu valor, dedicam-se ferozmente ao seu trabalho. Porém, este esforço parece nunca ser o bastante, levando-as à exaustão.

Segundo o Linkedin, a maioria das mulheres se candidata à uma vaga apenas quando preenche 100% das qualificações desejadas. Os homens, por outro lado, não tem essa mesma preocupação. Mesmo quando atendem apenas 60% dos requisitos, eles querem participar do processo seletivo.

 

Como fortalecer o empreendedorismo feminino

 

Empreender é desafiador para todos os gêneros, uma atividade que requer comprometimento e boas doses de motivação. Porém, essa jornada é mais difícil para as mulheres. Elas passam mais tempo trabalhando, enfrentam uma dupla jornada e ganham menos.

Fortalecer o empreendedorismo feminino é, portanto, contribuir para um movimento social que visa promover a equidade entre os gêneros

Mas, como apoiar essa causa?

O primeiro passo seria mitigar os vieses inconscientes, ou seja, combater os estereótipos. No ambiente corporativo, mulheres objetivas são tachadas de “grosseiras” ou, até mesmo, “agressivas”. O título “emotiva demais” também é comum. Na verdade, elas têm 70% mais chances de receber estes rótulos do que os homens, de acordo com o estudo da Bain com o Linkedin

Para combater a síndrome da impostora, uma boa opção é criar uma cultura de feedbacks. Avaliações de desempenho, recomendações e reconhecimentos podem ajudar a dissolver este sentimento. 

Outra forma de apoiar o empreendedorismo feminino é formando redes de apoio. Esses grupos podem ocorrer dentro e fora da empresa.

Para as mulheres donas do próprio negócio, ter as pessoas certas na equipe é fundamental. Ao contratar funcionários, prefira profissionais que trabalham bem juntos e que desejam de verdade contribuir para o crescimento do negócio. 

Você também pode frequentar eventos sobre empreendedorismo feminino, participar de conselhos e iniciativas públicas ou privadas. 

Conheça algumas delas:

 

Onde encontrar apoio

 

Conselho da Mulher Empresária 

Fundado em 1983, o Conselho da Mulher Empresária é uma iniciativa da ACP que visa representar as mulheres empreendedoras do comércio, da indústria e dos serviços. Também fazem parte executivas, profissionais liberais e empresárias do setor agrícola. 

Seus principais objetivos são:

  • Congregar mulheres empreendedoras, desenvolvendo o espírito associativo;
  • Desenvolver estudos, pesquisas, análises, treinamentos e debates;
  • Intensificar a integração das mulheres empreendedoras nas atividades da ACP;
  • Fortalecer a importância do empreendedorismo feminino no Paraná, destacando seu papel no desenvolvimento social e econômico do Estado. 

Empreendedora Curitibana

Criado pelo Vale do Pinhão, este programa busca fomentar o empreendedorismo feminino em Curitiba, promovendo encontros, palestras e workshops gratuitos. 

Além de impulsionar negócios liderados por mulheres, o Empreendedora Curitibana cria oportunidades de networking e colaboração. 

A cada dois anos, as empreendedoras que participam do programa concorrem a um prêmio. O concurso segue critérios técnicos e avalia as participantes em três categorias: MEI, micro e pequena empresa e ideia empreendedora. Saiba mais. 

 

Programa Banco da Mulher Paranaense

Em 2019, o Governo do Estado apresentou o programa Banco da Mulher Paranaense, criado para incentivar o empreendedorismo feminino em todos os setores econômicos. 

O programa, que é gerenciado pela Fomento Paraná, oferece financiamentos com taxas de juros mais baixas. O crédito varia de acordo com o porte do empreendimento e vai de R$1 mil a R$500 mil. 

Segundo o atual governador, o Banco da Mulher valoriza as empreendedoras do Paraná, possibilitando mais autonomia, geração de empregos e de riquezas. 

 

Mex Brasil – Mulheres Executivas

Comprometido com a participação feminina no ambiente corporativo, o MEX Brasil – Mulheres Executivas foi criado em 2006. O movimento reúne mensalmente mulheres executivas e empreendedoras em cargos de gestão nas pequenas, médias e grandes empresas.

A missão do MEX é estimular o fomento de negócios e fortalecer as relações empresariais. O grupo, que é independente, busca empoderar as empreendedoras curitibanas, oferecendo condições e oportunidades para que elas construam suas trajetórias de maneira autônoma. 

 

Grupo Nacional Mulheres no Varejo

Criado para construir laços fortes em prol do empoderamento feminino, este grupo é formado por mulheres que atuam direta ou indiretamente no varejo. Fundada em 2018, a iniciativa atua como um agente social de transformação, objetivando a igualdade de gênero e o empoderamento das profissionais do segmento.

Este ano, o Grupo lançará um livro, compartilhando histórias de mulheres do varejo para, com isso, inspirar a comunidade. Acompanhe!

 

Agora que conhecemos as redes de apoio ao empreendedorismo feminino no Paraná, que tal conhecer o perfil das empreendedoras? 

Entender o contexto é o primeiro passo para a mudança. 

 

O perfil das mulheres empreendedoras no Brasil

 

Os dados que mostraremos a seguir fazem parte de uma pesquisa realizada pelo Sebrae em 2019. 

Vamos começar pela localização: a maior concentração está nas regiões sudeste (53,2%), sul (19,5%) e nordeste (15,9%). Nas regiões centro-oeste e norte constam apenas 7,1% e 4% das mulheres empreendedoras do Brasil, respectivamente. 

Em relação ao ramos, 33% das mulheres empreendedoras investem no comércio de produtos. 20% estão no ramo alimentício e 12% na indústria de transformação. 

36% das empreendedoras obtém receita de até R$2.500 por mês. 33% faturam mais de R$10 mil. 

53,2% possuem entre 31 a 50 anos. 79% possuem ensino superior ou mais. Suas principais motivações são:

  • Trabalhar com o que gosta para 66%;
  • Realizar um sonho (34%);
  • Flexibilidade de horários (52%);
  • Ter uma renda melhor do que trabalhando para os outros (40%).

 

Confira o estudo completo. 

 

O perfil das empreendedoras do Paraná

 

No Paraná, o empreendedorismo feminino também é impulsionado pelo desejo de autonomia. Nos últimos 15 anos, o número de mulheres empreendedoras subiu 34%. Apesar disso, em relação ao número total de empreendedores, elas correspondem a apenas 6,5%.

Quase metade das empreendedoras do Paraná (46%) são MEI. Na capital, este número sobe para 49,3%. 

No noroeste do estado, 48,6% possuem ensino superior e 71,4% correspondem a faixa etária de 31 a 50 anos. 

 

Veja também: empresas e empreendedores do Paraná que você deveria conhecer.

 

Novos caminhos

 

Há não muito tempo as mulheres eram relegadas a papéis secundários na economia. Hoje, estamos, pouco a pouco, despertando para uma nova consciência, impulsionados pelos movimentos sociais que reivindicam a igualdade entre os gêneros. Os desafios são muitos e temos bastante trabalho pela frente. Porém, isso não anula o fato de que as mulheres são excelentes profissionais. Seja à frente de empresas ou praticando o intraempreendedorismo, a busca por autonomia e liberdade inspira outras mulheres a fazerem o mesmo. 

Uma vez conhecidos os obstáculos e os benefícios econômicos do fomento ao empreendedorismo feminino, podemos, então, desenhar novos caminhosEntenda seu papel nessa mudança e colabore para um futuro melhor.

 

(Texto por Claudia Bär)
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ACP: há 129 anos conectando o comércio, a indústria e os serviços.

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