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Curitiba é conhecida pelas ruas arborizadas, parques, praças e pela presença de árvores também em imóveis particulares. Esse patrimônio verde, porém, exige cuidados que vão muito além de plantar ou cortar galhos. Portanto, o cumprimento da legislação é fundamental, especialmente diante de informações distorcidas que podem gerar dúvidas sobre quando e como uma poda pode ser realizada.

De acordo com o biólogo Vitor Rodrigo De Moraes, membro do Conselho de Ação para a Sustentabilidade Empresarial (CASEM) da Associação Comercial do Paraná (ACP), a principal referência é o Código Florestal do Município de Curitiba, estabelecido pela Lei Municipal nº 9.806/2000. A legislação recebeu atualizações ao longo dos anos e passou a contar com regulamentações e procedimentos específicos da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (SMMA).

“Uma mudança importante ocorreu com a Lei Municipal nº 16.627/2025, que atualizou as regras relacionadas à arborização e reforçou que as podas devem seguir critérios técnicos, considerando o Plano Municipal de Arborização e as normas técnicas aplicáveis”, explica De Moraes, especialista em logística reversa, economia circular, gestão de resíduos, sustentabilidade corporativa e ESG.

Na prática, a localização da árvore não elimina a necessidade de observar as regras. Mesmo dentro de um imóvel particular, uma intervenção pode depender de autorização do município e de avaliação técnica. Nas áreas públicas, como calçadas, ruas e praças, o manejo é de responsabilidade da Prefeitura. Já nos terrenos particulares, o proprietário deve cuidar da vegetação existente, sempre respeitando a legislação ambiental.

Não é apenas cortar galhos

A poda pode parecer uma tarefa simples, mas uma intervenção inadequada pode comprometer o desenvolvimento e até a estabilidade da árvore. De Moraes alerta que “quando um galho é retirado de maneira inadequada, pode ser criada uma área de exposição que favoreça a entrada de fungos e outros agentes que deterioram a madeira. Uma poda muito intensa também pode provocar o crescimento de brotações frágeis e alterar o equilíbrio da copa”.

Antes de decidir pelo corte, ele observa que é preciso avaliar a árvore como um todo. Saúde, estrutura, inclinação, presença de galhos secos ou quebrados, fungos, cavidades, rachaduras e condições das raízes são alguns dos aspectos que devem ser observados. O ambiente também pesa nessa análise, principalmente quando a árvore está próxima a fachadas, estacionamentos, vias de circulação ou redes elétricas. “O tamanho da árvore, sozinho, não é motivo suficiente para determinar uma poda”.

Cada poda tem uma finalidade

Nem toda poda tem o mesmo objetivo. A de formação é utilizada principalmente em árvores jovens, ajudando a construir uma estrutura equilibrada. A de manutenção busca preservar as condições da árvore, enquanto a de segurança é indicada quando existe risco identificado para pessoas, patrimônio ou infraestrutura. Já a poda emergencial responde a situações que exigem ação rápida, como um galho quebrado durante uma tempestade ou uma condição de risco imediato.

Segundo o especialista, o problema está também nas intervenções feitas sem justificativa técnica. Podar porque a árvore “está muito grande”, faz sombra ou suja um estacionamento pode ser desnecessário. “Uma poda excessiva pode ser prejudicial. Quando se retira mais de 50% da massa verde da copa, elimina a gema apical ou corta apenas um lado da copa, pode haver desequilíbrio”, explica.

Além dos danos à própria árvore, uma poda inadequada pode representar risco para a população. Cortes mal executados podem favorecer processos de deterioração e comprometer a estrutura de galhos e troncos. O trabalho também pode envolver altura, ferramentas de corte, circulação de veículos e pedestres e proximidade com redes elétricas. “Por isso, quando houver necessidade de avaliação, laudo ou responsabilidade técnica, devem ser observadas as exigências profissionais previstas na legislação”, orienta.

Para a ACP, o cuidado com a arborização passa, portanto, pela combinação entre preservação, informação correta e responsabilidade. Antes de qualquer intervenção, a recomendação é buscar orientação adequada e verificar a necessidade de autorização. Mais do que uma exigência legal, o manejo correto ajuda a preservar as árvores de Curitiba e a reduzir riscos para pessoas, imóveis e infraestrutura.

Foto: Luiz Costa/SMCS

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