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Para quem administra um comércio, uma árvore no terreno ou próxima ao estabelecimento pode parecer apenas parte da paisagem. Mas galhos que avançam sobre veículos, raízes que levantam a calçada ou vegetação que interfere na circulação mostram que a arborização também faz parte da gestão do imóvel.

Segundo Vitor Rodrigo De Moraes, membro do Conselho de Ação para a Sustentabilidade Empresarial (CASEM) da Associação Comercial do Paraná (ACP), a manutenção preventiva pode evitar que pequenos problemas se transformem em acidentes, gastos inesperados ou interrupções na atividade comercial.

Especialista em logística reversa, economia circular, gestão de resíduos, sustentabilidade corporativa e ESG, De Moraes explica que alguns sinais merecem atenção. Galhos secos ou quebrados, rachaduras, cavidades, fungos, partes deterioradas e alterações no tronco estão entre eles. “Também merece atenção uma árvore que passou a apresentar uma inclinação diferente, especialmente quando essa alteração parece recente”.

As raízes também precisam entrar no radar dos comerciantes. Levantamento do piso, raízes expostas e alterações no terreno próximas ao tronco podem indicar a necessidade de avaliação. O mesmo vale para galhos que atingem telhados, fachadas, placas, veículos, sistemas de iluminação ou redes elétricas. “Esses sinais não significam necessariamente que a árvore oferece risco, mas indicam que pode ser recomendável buscar uma avaliação profissional”, observa.

Prevenção custa menos

A falta de manutenção pode fazer com que situações simples evoluam. Um galho seco pode se romper durante uma chuva ou vento forte; uma raiz pode levantar parte da calçada e dificultar a passagem; e uma vegetação sem controle pode avançar sobre áreas de circulação. Veículos, fachadas, telhados, muros, calçadas e equipamentos também podem ser afetados.

“A manutenção preventiva, portanto, não deve ser vista apenas como uma obrigação ambiental. Ela também é uma medida de gestão de patrimônio e segurança”, destaca o especialista. A lógica, segundo ele, é semelhante à manutenção de um veículo ou de uma instalação elétrica, ou seja, identificar sinais de problema antes que eles provoquem uma ocorrência.

Por isso, uma rotina de inspeções visuais pode fazer diferença. Ao perceber um galho seco, uma cavidade, uma rachadura ou qualquer conflito entre a árvore e a estrutura do imóvel, o comerciante pode buscar avaliação antes que a situação se agrave. A prevenção ajuda a reduzir a possibilidade de acidentes, danos materiais, gastos emergenciais e interrupções das atividades.

Atenção redobrada às redes

Em áreas comerciais, árvores próximas a fachadas, estacionamentos e calçadas exigem acompanhamento constante. É importante observar o crescimento dos galhos, a possibilidade de queda e os efeitos das raízes sobre o pavimento. Já quando há proximidade com redes elétricas, o cuidado deve ser ainda maior. “O comerciante não deve tentar resolver sozinho um conflito entre árvore e rede elétrica. Intervenções nessa situação podem envolver risco de choque elétrico e exigem procedimentos específicos”, alerta De Moraes.

Outro ponto importante é não confundir o controle da vegetação com a possibilidade de cortar árvores ou raízes indiscriminadamente. Em terrenos particulares, o proprietário é responsável pela conservação do espaço, inclusive pela manutenção das áreas de circulação. “Se uma árvore estiver levantando a calçada, por exemplo, simplesmente cortar as raízes pode comprometer a estabilidade do próprio indivíduo arbóreo”.

A orientação, portanto, é incorporar a arborização à rotina de cuidados do estabelecimento. Observar as árvores regularmente, manter as áreas de circulação livres, prestar atenção às raízes, verificar a necessidade de autorização e procurar avaliação técnica diante de sinais de alteração são medidas simples. “Uma avaliação realizada no momento certo pode evitar acidentes, danos materiais e custos maiores”.

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